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Vetor Entrevista: Katy da Voz

há 7 dias
4 min de leitura

A artista - que tornou-se um rosto do underground brasileiro - conta sobre planos para 2027, possível álbum solo, novos lançamentos e sobre como as Abusadas se mantém unidas


Entrevista por Pedro Paulo Furlan

Fotografia por Mateus Aguiar São Paulo, 21h. São raras as pessoas que se tornam rostos de uma cena tanto quanto Katy da Voz, titular do grupo Katy da Voz e as Abusadas, banda, coletivo artístico e autoras de alguns dos maiores memes do ano, na cena underground brasileira. Com quase 10 anos de carreira, a artista continua a expandir, alcançando novos públicos, novos sons e até novos projetos.


Quando sento para falar com Katy - nossa terceira entrevista, na verdade - a primeira coisa que pergunto para ela é sobre a sua capacidade quase super-humana de estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Com uma agenda de shows lotada, Katy da Voz marca presença em diversos eventos da cena, em feats, em campings de composição e, sempre, no estúdio.


Fotografia por Mateus Aguiar

“Acho que, assim, para ser bem sincera, nem eu sei essa resposta, porque eu não sei como eu consigo conciliar tudo, fazer tudo isso ao mesmo tempo”, ela afirma, mas destaca: “Mas, a música é minha grande paixão, e a composição é algo que eu gosto muito de fazer. [...] Às vezes, eu consigo dar uma pausa no que está me preocupando para conseguir dar atenção para algo grande, para também não ficar tão sobrecarregada, né?”


A artista, que marcou presença no camping de composição do novo álbum de Pabllo Vittar, aponta que, nos últimos meses, tem encontrado nessa criação para outros cantores e cantoras uma válvula importante para sua criatividade. “Ainda não sei se a música vai sair, mas, amei a experiência. Até fiquei pensando que quero focar muito nessa área de composição, porque acredito que tenho muito o que falar ainda em música e muitas vezes é um ritmo que não combina comigo, sabe?”, diz.


Tendo acabado de lançar um dos projetos de maior sucesso das Abusadas, o EP “Sandra Eletrônica”, Katy da Voz me conta que esse ano tem sido um de muito crescimento, sim, mas, também muita reflexão sobre o que vem pela frente. 


“A gente quer usufruir das coisas, de tudo que estamos conquistando. Então, acho que ano que vem, vamos focar nisso, em levar nosso projeto via shows pelo mundo inteiro, em fazer feats e participações, mas, acho importante a gente dar uma desacelerada”, ela aponta.


Fotografia por Mateus Aguiar

Até chegar lá, no entanto, o grupo - formado por ela e Palladino Proibida - tem muito planejado para 2026. Com mais um projeto para sair no final do ano, as Abusadas continuam em turnê, levando um show que apresenta elas como artistas completas e versáteis.


Entrando no tópico de shows, pergunto para ela sobre um momento específico das novas performances: a apresentação de “Diz Aquendei”, a música mais emotiva do grupo até hoje. Ajoelhada sozinha no palco, a artista canta sobre superar um antigo amor, sua relação com as outras Abusadas, e o peso dessa jornada.


“Eu precisava cantar isso só eu e o povo. Precisava que eles olhassem para mim e entendessem o que eu estava tentando passar na letra”, Katy da Voz aponta. Para ela, esse momento de intimidade é importante para ver a pessoa por trás da persona, e como as coisas podem vir a afetá-la.


Afirmando que raramente checa comentários e reações, a artista me conta que viu pessoas criticando sua participação no camping da Pabllo, e questiona o fato de que nem sempre é levada a sério como artista. “A gente gosta de piada, gosta de fazer memes, e acho que muitas vezes é por isso, mas, sinto que às vezes esse tipo de repercussão sobre a gente vem muito de graça”, aponta. “Tento não buscar, sabe? Tem uma galera muito chata que gosta de falar mal sem ter justificativa, de verdade. Evito esse tipo de informação seja sobre mim, seja sobre as Abusadas”, Katy conta, destacando: “Podem falar o que quiser, Katy da Voz e as Abusadas é um coletivo, é extenso. Temos a Barbie, produtores e muita gente que trabalha por trás de tudo para fazer esse grupo acontecer, e isso sempre vai valer mais que qualquer outra opinião”.

Fotografia por Mateus Aguiar


Completando, ano que vem, 10 anos desde que lançou sua primeira música, Katy da Voz também expressa interesse em criar novamente um projeto solo, tranquilizando: “Nunca terminando com as Abusada, óbvio”. Pensando em explorar uma sonoridade mais conectada ao seu gosto pessoal de rock, a artista busca comemorar esse marco de sua carreira.


“É um desejo que tenho e e acho que pode dar certo, né?”, ela diz: “Meu momento solo foi uma fase muito de descobertas e eu tinha muita vergonha. Penso em voltar com o projeto solo justamente para mostrar para mim mesma, e principalmente para minha eu do passado, que sou capaz de fazer algo para mim que eu realmente goste, sabe?”.


Para esse ano, no entanto, Katy da Voz ainda tem muito a cumprir. Recentemente, a artista anunciou a faixa “FRANKFURT”, um rock eletrônico inspirado pela detenção dela e Palladino na Europa, acontecimento que impediu a turnê europeia que o grupo tinha projetado - e também a primeira música a ser lançada após a saída de Degoncé Rabetão do trio.


“Pensei em ‘FRANKFURT’ na Alemanha ainda, presa no aeroporto”, ela conta, referenciando uma mensagem de voz que aparece na música: “Queria que tivesse um refrão pegajoso e contasse de uma forma sarcástica sobre aquele momento”.


“Eu e Palla pensamos muito em como trasmitir tudo que rolou, mas, já no Brasil, ao gravar junto do Gorky e PZZS entendemos que essa música devia ser realmente uma brincadeira, uma grande sátira a toda situação, para que não fosse levada tão a sério. Afinal, foi assim que superamos o caos dessa viagem - e de quase todas nossas situações - dando risada”.


Fotografia por Mateus Aguiar



Créditos: Foto: @mateusaguiar

Assist. luz: @diegorodriguesph

Retouch: @kaiocsr

Make & Hair: @barbtwoo

Stylist: @fontyneelli

Headpiece: @fontyneelli



 
 
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