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Vetor Entrevista: Vita Pereira & Crew

23 de set.
3 min de leitura

Entre criativos internacionais, Vita Pereira torna-se “obra viva”. Em shoot exclusivo para a Vetor Magazine durante sua turnê na europa, a cantora e compositora brasileira explora suas relações com pessoas que estão criando em um contexto totalmente diferente

Texto e entrevista por Pedro Paulo Furlan

Fotografia por Enzo Sinai


“Para além do show, eu queria me conectar com os artistas imigrantes, com as pessoas trans e artistas locais”, Vita me conta, relembrando sobre o que fez esse projeto ser algo tão importante, mesmo durante um momento tão corrido quanto uma Eurotour: “Queria entender quais são as armas que elas utilizam para continuar sobrevivendo e atravessando todos os preconceitos, todas as violências que a gente sofre diariamente”.


Durante sua passagem por Portugal, mais especificamente Lisboa, a multiartista brasileira Vita Pereira conectou-se com diversos criativos internacionais para expandir o mundo visual que iniciou em seu álbum de estreia solo “Vita's House”. Com direção criativa autoral e do hairstylist Gui Oliv, a artista - uma mulher trans preta - desenvolve um universo em que se torna uma “obra viva”, exposta em um palácio colonial em Portugal, o Palácio do Grilo, delineando essa contradição.


"Foi um dos trabalhos mais grandiosos da minha carreira. Assinar a direção criativa e de beleza desse editorial. E trabalhar ao lado da Vita, uma artista que admiro profundamente dentro e fora dos palcos, foi a confirmação do meu lugar enquanto diretor”, me conta Gui Oliv, relatando que o dia do shoot foi um momento de muita colaboração, no qual todas as vozes foram ouvidas.


Tendo já assinado belezas para Tyla, Azealia Banks, Marina Sena, Sevdaliza e muitas mais, também através de sua maison de wigs @byguioliv, o diretor criativo - nascido em São Paulo e radicado em Lisboa - diz que buscou referências que explorassem a união entre vintage e atual. “Temos penteados afros com volume, super longos, mullets - que trazem um pouco dessa vibe ‘rock star’ mas também sexy que a Vita tem”, afirma.


Fotografia por Enzo Sinai


Durante nosso papo sobre o projeto, Vita relata que a conexão de épocas era algo muito importante para ela, especialmente como mulher brasileira estando em um local de destaque em Portugal. “Com o processo de colonização e violência, foi importante escolher esse lugar contraditório, atualizando essa imagem da travestilidade e a encarando como um espaço que também merece acessar o poder, que também merece acessar imagens dignas, imagens que humanizam a gente”, ela aponta.


Com o fotógrafo moçambicano Enzo Sinai por trás das câmeras, a artista criou um visual que, por meio da colaboração aberta, traz uma sensação editorial mas, como o próprio Sinai afirma, “ainda mantém algo espontâneo e humano”. Sinai, que já trabalhou com nomes como Pedro Sampaio, Clementaum e Amaarae, contou com a parceria de Pe Lozano, que capturou o set por meio de suas polaroids e fotos em filme.


“Durante o shooting, senti que existia uma grande abertura para experimentar e criar em conjunto, e isso tornou o processo muito natural. Foi daqueles trabalhos em que sinto que também aprendi e fui influenciado pela pessoa que estava à minha frente”, conta Lozano sobre o set.


Buscando expressar a importância de apreciar uma artista enquanto em vida, Vita carrega consigo o imagético de obra viva nesse shoot, trazendo diferentes realidades para desenvolver uma estética que expressasse exatamente o que estava procurando. “Usamos silhuetas, texturas e materiais impactantes, como penas, couro, metal, acrílico e transparências, criando uma identidade distinta para cada look, mas mantendo uma ligação visual entre todos. A ideia foi mostrar diferentes versões da Vita sem perder aquilo que a torna única”, conta Pitaya Chalbert, stylist do projeto.

Fotografia por Enzo Sinai “Eu acredito muito que os trabalhos coletivos conseguem criar grandes transformações sociais e grandes impactos, especialmente quando são construídos com muitas mãos, muitas ideias”, aponta Vita sobre essa experiência.


A artista, que voltou da Europa tendo trabalhado com artistas imigrantes tanto nos visuais quanto na 

música, tem refletido muito sobre os impactos que a política global tem em corpos marginalizados. Referenciando “em vida essas pessoas que estão mudando o cotidiano de pessoas trans do Brasil e do mundo”, Vita dá um passo na direção de compreender ainda mais seu corpo no mundo.


“Quero entender meu corpo, atravessando fronteiras, atravessando oceanos, trocando com outras pessoas, e quais são os impactos disso, como isso influencia na minha arte, na minha forma de ver o mundo, na minha forma de criar imagens, na minha forma de conectar pessoas”.


Fotografia por Enzo Sinai

Ficha Técnica:

Direção Geral: @_guioliv

Direção Criativa: @_guioliv & @vitapereiraa

Direção de Movimento: @jhowzagare

Hairstyling: _@guioliv com produtos @got2b @fentyhair

Styling: @p.chalbert

Fotografo: @enzosinai__

Polaroids: @_p.lozano

Agradecimentos: @palaciodogrilo

 
 
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