Vetor Entrevista: Dandarona
- vetormagazine
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Dandarona nos apresenta ao cerne de quem ela é em “Lastro”: Com naturalidade e confiança, a produtora recifense constrói seu som em frente dos nossos olhos no seu mais novo EP, trançando parcerias e sonoridades diferentes com total maestria
Texto e entrevista por Pedro Paulo Furlan

Fotografia por Mariana Tinoco
Dandarona é um nome que já ecoou pela cena underground do Brasil inteiro durante seus mais de oito anos de carreira. Levando sua mescla de funk, club music e drum'n'bass pelo país, a artista Dandara Luz solidificou-se como uma das maiores promessas da cena eletrônica brasileira - especialmente com seu mais novo EP, "Lastro", lançado no início de novembro.
“'Lastro’ é uma síntese de tudo que venho construindo nos últimos anos”, Dandarona me conta quando peço para ela me apresentar o EP em suas próprias palavras. Com esse projeto, a artista une todas as referências presentes em seus sets, além de uma extensa pesquisa que ela vem desenvolvendo exatamente para esse momento: “Deu um frio na barriga com certeza antes de lançar, isso sempre, mas, principalmente, veio uma sensação de ‘É isso!’, agora vocês podem ouvir tudo que venho preparando".
Originalmente de Recife, mas, com uma estampa inegável na cena paulista, o nome Dandarona em um line é sempre garantia de um momento de altíssima energia na pista. Envolvendo o público de forma total e completa, um set da DJ e produtora traz sua mistura característica de funk, club, drum'n'bass e house - todos ritmos que marcam presença em “Lastro”.
“Segui o que realmente faz parte da minha vivência como produtora e DJ durante todos esses 8 anos de pista, tudo já estava presente nas minhas pesquisas. Acho que nunca foi sobre tentar encaixar estilos diferentes, e sim sobre mostrar o que já me atravessa naturalmente”.

Fotografia por Mariana Tinoco
Esse aspecto de naturalidade também fez parte do processo de produção do próprio EP. Quando pergunto sobre quando ela teve a ideia de criar “Lastro”, Dandara me explicou que não foi bem uma decisão completamente voluntária, foi algo bastante instintivo, na verdade. “Essa ideia chegou quando percebi que tudo que pesquisei tinha força para tornar-se um projeto próprio”, explica ela, apontando: “Estava vivendo um momento muito criativo, sabe? Eu precisava materializar isso”.
“Foi lindo ver as faixas tomando forma, quando cada música começou a mostrar claramente que tinha sua própria personalidade, mas ainda fazia sentido dentro do universo Dandarona”.
Em “Lastro”, Dandarona também conta com participações de nomes de destaque na música brasileira - IDLIBRA, Potyguara Bardo, Kaya Conky, RKills e Janvita, do grupo Taj Ma House, inserem sua identidade no novo projeto de Dandara. “Estou cercada de artistas que criam, experimentam e se apoiam me dá força e motivação para continuar produzindo. É um ambiente que me inspira para o tipo de som que eu quero construir”, aponta ela.
Sobre os feats com pessoas nordestinas, região do Brasil que, por muito tempo, não foi reconhecida por sua potência na música eletrônica, pergunto sobre a importância para a artista de manter essa conexão com suas origens.

Fotografia por Mariana Tinoco
“Tudo isso aconteceu de maneira muito natural, essas artistas, além de amigas, são referências para mim”, me conta Dandarona sobre IDLIBRA, Potyguara Bardo, Kaya Conky e Janvita: “Não foi uma escolha deliberada de representar o Nordeste, mas, eu sabia que isso aconteceria de qualquer forma, porque faz parte de quem eu sou".
“Onde eu estiver, serei sempre uma travesti nordestina. E isso aparece na minha linguagem artística de maneira orgânica, sem precisar ser forçado”.
Essa rejeição a tudo que é ‘forçado’ é algo presente no cerne de “Lastro”. O EP é composto de seis faixas que soam como a forma mais natural de Dandarona, unindo todas suas referências e inspirações, mas, garantindo que o projeto reflita o máximo de si mesma o possível - mas, ainda deixando espaço para nós, o público, ficarmos com fome de mais.


