Vetor Entrevista: Vita
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Neste, que é um dos maiores festivais de eletrônica do mundo, a artista levou a turnê de “Vita’s House”, seu primeiro álbum solo, e celebrou a presença da cena underground brasileira.
Texto e entrevista por Pedro Paulo Furlan

fotografia por Larissa Larsen
No dia 18 de julho, Vita apresentou seu novo show, que acompanha o disco “Vita’s House”, para um público completamente novo, no festival alemão Whole Festival. Sentando com a Vetor, a artista introduz o show, o projeto que lançou mais cedo neste ano e como foi a experiência de subir em um palco internacional pela primeira vez como uma artista solo.
“Apesar de estar sozinha no palco, me senti como uma legião. O palco pesou quando entrei pois carrego comigo minha história, minha família, amigas, equipe e meus fãs”, afirma Vita.
No meio de uma turnê europeia, Vita conta que participar do Whole - um dos festivais mais marcantes no underground mundial - foi “muito importante na minha história e carreira”. Junto com a DJ e produtora brasileira XD Erica, a artista levou para a Alemanha o universo todo de “Vita’s House”, sua casa - uma mescla sonora de house, funk, dancehall e ragga.
Dizendo que artistas travestis do Brasil “fazemos magia”, Vita celebra a presença de diversos nomes da cena brasileira no line-up do festival. “A presença massiva de várias pessoas brasileiras no line é um reflexo do quanto rica é a nossa cultura e o quanto estamos todos trabalhando arduamente para levarmos nossas manifestações para o mundo”, afirma.

fotografia por Matheus Lima
Ao lado de nomes como Cyberkills, Alírio, Kabulom, e diversos outros presentes no festival, Vita comemorou a movimentação internacional da cena underground brasileira, inclusive prestando homenagem ao trio Katy da Voz e as Abusadas, que não puderam estar presentes.
“Nós somos uma outra face dessa nação maldita que aprendemos a chamar de Brasil, nós somos aquelas que foram empurradas para fora do pacto de humanidade e mesmo assim, aterramos nossos pés no chão e fizemos da pista nosso local de batalha e resistência”, declara.

fotografia por Larissa Larsen
A House de Vita
Para a Alemanha, Vita levou o show de “Vita’s House”, seu primeiro álbum solo. Resgatando diversas influências de sua carreira na música e na cena de festas, a artista diz que criou um álbum buscando apresentar a si mesma por completo. Mergulhando no house, Vita conta para a Vetor que, mesmo que nunca planeje soltar a mão do funk por completo, sentiu necessidade de engajar com esse outro som, que também perpassa por toda sua trajetória.
“Já venho da cultura ballroom e tenho anos de proximidade com a música eletrônica e o house”, Vita explica: “Então, o ‘house’ é um termo que me circula há muito tempo”.

fotografia por Larissa Larsen
Ao criar esse disco, Vita relata, “a primeira coisa que eu fiquei pensando era que eu tinha que fazer alguma coisa, na sua maioria, diferente do que eu já fiz. Eu tenho que mostrar para o meu público que eu consigo fazer outras coisas também”.
Com isso em mente, a artista mergulhou no seu íntimo e criou um projeto que vai além de temas que ela já tinha abordado, apresentando de cara sua espiritualidade e sua conexão com a macumba. “Eu acho que é uma forma também de honrar, sabe? De uma forma muito respeitosa, de honrar as minhas entidades, meus orixás, de honrar as forças que permitiram que eu conseguisse sonhar com esse álbum e materializar esse álbum, construir essa casa”.
Um aspecto importante do disco, segundo a artista, é também seu aspecto colaborativo. Trazendo diversos artistas junto com ela - muitos deles com quem ela dividiu o line no Whole - Vita criou um projeto que também é uma vitrine da cena em que ela está.
“Eu queria fazer música com pessoas em quem eu acreditava, em quem eu acredito, que eu consumo, que eu sou fã e que eu amo, que são meus amigos”.
Ao lado de promessas e nomes consolidados, como Cyberkills, Taj Ma House, BADSISTA e muito mais, Vita finaliza apontando: “Com as aberturas que eu tenho, eu pude colocar um olhar estratégico para essas pessoas e expor, falar: ‘olha isso aqui que eu fiz não começou comigo e olha o tanto de gente que estava sobrevivendo há muitos anos com essa cultura’”.

fotografia por Larissa Larsen


